As origens do atual município de Barão de Cocais remontam ao início do século XVIII, quando a ocupação de terras mineiras associou-se ás possibilidades de enriquecimento rápido através da exploração mineradora.
Imbuídos de tal espírito, aventureiros instalados no povoado do Socorro deslocaram-se rio abaixo, percorrendo uma distância aproximadamente de dez quilômetros, onde encontraram novos veios auríferos. Arranchando-se nas proximidades das lavras, deram o nome de Macacos ao local, contemplando-o por volta de 1713, com uma pequena capela, presumivelmente de taipa, dedicada a São João Batista. A partir deste aglomerado inicial irradiou-se o novo núcleo urbano, assentado no sopé de extenso morro, e que por esta razão passou a ser identificado como São João do Morro Grande.
Indicando o desenvolvimento e organização social do povoado, a Capela de São João Batista foi instituída igreja episcopal por previsão de 1749 e dez anos depois a Irmandade do Santíssimo Sacramento decidiu pela substituição da primitiva capela por um novo templo, mais requintado e de maiores proporções, o qual deveria obedecer a risco e planta encomendados na Metrópole.
Aberta a concorrência, a obra foi arrematada por Miguel Gonçalves de Oliveira em setembro de 1759, por vinte e cinco mil cruzados e trezentos e cinqüenta mil réis. Entretanto, dificuldades financeiras, aliadas a defeitos apontados no projeto, protelaram por alguns anos o início dos trabalhos.
A constatação de pagamento efetuado a José Coelho de Noronha em 1762 “pelo risco que fez para a Igreja Nova” indica alguma atuação do artista no projeto de 1759. Contudo, outro importante documento sobre a origem da edificação, a ata de reunião da Irmandade do Santíssimo Sacramento de 12 de Janeiro de 1763, revela que persistia ainda naquele momento uma insatisfação com o projeto disponível, levando os irmãos, em consenso com o arrematante Miguel Gonçalves de Oliveira, a decidirem pela elaboração de um novo risco, que tirasse “todos os defeitos do primeiro”.
Segundo avaliação de especialistas, este novo risco, adotando modificações fundamentais no projeto original, o Aleijadinho. È o que afirma Lúcio Costa, ao identificar a caligrafia do mestre ouro-pretano no desenho do frontispício, do arco-cruzeiro e na ousadia inovadora de disporás torres diagonalmente em relação ao corpo da igreja. Mas o referido arquiteto considera que a participação de Aleijadinho teria sido restrita, não alcançando a execução do serviço. O projeto perderia muito nesta transposição e, ao final, segundo palavras de Rodrigo Melo Franco de Andrade, representaria apenas uma reminiscência do esboçado pelo artista. Em contrapartida, ainda Rodrigo Melo Franco lembra que “se a invenção do arquiteto perdeu ao ser executado á revelia do autor, o monumento foi enriquecido com a sua mão-de-obra de escultor, primeiramente na imagem de São João Batista, de pedra-sabão, colocada no nincho da fachada principal e, depois, no interior da igreja, na tarja do arco-cruzeiro, também entalhada na mesma pedra”.
À análise formal do monumento, que reconhece o Aleijadinho em sua concepção, combinam suportes documentais que comprovam a intervenção pessoal do mestre na igreja:
“O rematante da obra Miguel Gonçalves de Oliveira nomeou para seu louvado o m Antônio Francº Lxª”…
Da mesma forma, o passo da memória redigida em 1790 pelo vereador segundo da Câmara Municipal de Mariana, Joaquim José da Silva, sobre a evolução das artes plásticas na Capitania de Minas Gerais durante o século XVIII, traz um relato que torna incontestável a colaboração de Aleijadinho no projeto de Igreja Matriz de São João Batista:
“(…) O aumento da arte se afigura de sorte que a matriz de Caeté feita (…) debaixo do risco do sobredito Lisboa, cede nas decorações e medidas á Matriz de Morro Grande, delineada por seu filho Antônio Francisco Lisboa (…)”.
Rodrigo Melo Franco de Andrade sintetiza que o estudo técnico do edifício e de seu respectivo adro, levado a efeito por Lúcio Costa, confirma definitivamente a informação do vereador marianense, demonstrando que Aleijadinho realizou modificações fundamentais naquele projeto, que traz a marca inconfundível de seu traçado.
Os trabalhos com a edificação do templo se estenderam por vários anos, acompanhados sempre por graves crises financeiras, administradas pela irmandade.
A partir de 1792, os recibos das obras passaram a constar o nome de um novo arrematante, Theodósio Martins de Souza.
Em 1798, as obras da capela-mor foram colocadas em concorrência pública, incluindo condições para a execução do madeiramento, pintura e douramento da talha. Foram arrematadas em 20 de março do mesmo ano, ficando estipulado que seria uma capela-mor “provisória e de pequenas dimensões”. Para o prosseguimento destas obras, em 04 de outubro de 1798, a Irmandade entrou em acordo com Theodósio Martins de Souza para que o mesmo desmanchasse a antiga capela-mor.
Nas primeiras décadas do século XIX, quando das Visitas Pastorais de Frei José da Santíssima Trindade (182/26), a capela-mor encontrava-se inacabada. A nave estava concluída, apresentando sete altares sem policromia ou douramento. Em meados do século, a capela-mor ainda se achava inconclusa.
Segundo relatório elaborado pela fundação João Pinheiro, datado de 16 de maio de 1975, a capela-mor, que em 1798 teve iniciada a sua construção, foi demolida dando lugar a outra em 1969, edificada pelo engenheiro Frei Francisco. Na mesma ocasião, o holandês Wilhem Van Oer desmontou os altares do arco-cruzeiro, realizando uma superposição de peças que resultaram no altar-mor.
Data da mesma época a demolição do adro da igreja, eu daria lugar á praça ainda hoje existente.
A Igreja Matriz de São João Batista foi tombada pelo IPHAN, atual IBPC, em 8 de setembro de 1939, de acordo com processo nº. 75, inscrição nº240, do livro de Belas Artes.
A Igreja Matriz foi elevada a Santuário no dia 15/01/2006.


